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Poluição do ar está associada a mais de 13% das mortes por câncer de pulmão, aponta estudo da Ufal
Pesquisa analisou as 27 capitais brasileiras e estima 9,6 mil óbitos ligados ao PM2.5 em dez anos
Por Karolynne Rocha26 FEV - 10H33
Poluição do ar está associada a mais de 13% das mortes por câncer de pulmão, aponta estudo da Ufal (Foto: Ascom Ufal)
Um estudo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), publicado na revista internacional Atmosphere, revela que mais de 13% das mortes por câncer de pulmão nas capitais brasileiras estão associadas à poluição do ar.
A pesquisa é de autoria de Albery Batista de Almeida Neto, estudante de Medicina da Ufal, sob orientação do professor Flávio Manoel Rodrigues da Silva Júnior, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS). O estudo analisou dados de poluição atmosférica e mortalidade por câncer de pulmão entre 2014 e 2023 nas 27 capitais dos estados brasileiros.
O foco foi o material particulado fino (PM2.5), poluente microscópico capaz de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. A metodologia utilizada para estimar as mortes atribuíveis à exposição prolongada seguiu parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Níveis acima do recomendado
Os resultados indicam que praticamente todas as capitais apresentaram médias anuais de PM2.5 acima do limite recomendado pela OMS. Ao todo, 97,41% das médias anuais ultrapassaram o padrão internacional, e quase um terço das medições excedeu inclusive o limite brasileiro vigente.
O estudo estima que 9.631 mortes por câncer de pulmão no período analisado estão diretamente relacionadas à poluição do ar, evidenciando exposição crônica da população urbana a níveis prejudiciais de poluentes, especialmente nas regiões Sudeste e Sul.
Em Maceió, os pesquisadores estimam que 28 mortes por câncer de pulmão na última década estejam associadas à poluição atmosférica, o que representa cerca de 3% dos óbitos pela doença na capital alagoana. Segundo o professor Flávio Rodrigues, os índices em Maceió e nas demais capitais do Nordeste são inferiores à média nacional, refletindo menores níveis de poluição em comparação com outras regiões do país.
Saúde ambiental e formação médica
Para os autores, o estudo reforça a necessidade de integrar saúde ambiental à formação médica, preparando profissionais para compreender os determinantes ambientais das doenças.
Além dos pesquisadores da Ufal, a investigação contou com a colaboração do Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), bem como de cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).
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