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Um ano da tragédia que deixou 20 mortos na Serra da Barriga
O acidente ocorreu enquanto o ônibus, cedido pela Prefeitura, fazia o trajeto para o alto da Serra da Barriga
Por Clebson Kauan24 NOV - 16H09
Um ano da tragédia que deixou 20 mortos na Serra da Barriga (Foto: )
Há exatos 12 meses, em 24 de novembro de 2024, a Serra da Barriga, símbolo ancestral de luta e liberdade do Quilombo dos Palmares, foi palco de uma tragédia que marcou a história de União dos Palmares e de todo o estado de Alagoas. Um ônibus que transportava 48 passageiros despencou de uma ribanceira, resultando na morte de 20 pessoas e deixando dezenas de feridos.
Um ano depois, a dor da perda se mistura com a busca por respostas, justiça e a força inabalável de uma comunidade que aprendeu a conviver com um luto coletivo, mas que se recusa a esquecer.
A tragédia
O acidente ocorreu enquanto o ônibus, cedido pela Prefeitura, fazia o trajeto para o alto da Serra da Barriga. Muitos dos passageiros, que incluíam crianças, jovens e idosos (as vítimas tinham entre 5 e 84 anos), estavam a caminho do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, para apreciar o pôr do sol ou participar das últimas celebrações do mês da Consciência Negra.
Relatos de sobreviventes e socorristas descreveram um cenário de horror e desespero. O veículo caiu de uma altura de cerca de 400 metros. Segundo relatos preliminares, houve uma falha mecânica e o motorista perdeu o controle. A dificuldade de acesso e a falta de iluminação no local complicaram o resgate, que mobilizou uma força-tarefa de bombeiros, Samu, militares e voluntários.
A nossa repórter, Thayla Paiva, que esteve presente no local desde as primeiras horas da manhã do fatídico dia 24, e que retornou agora para a reportagem de aniversário, recorda a dificuldade emocional da cobertura inicial. A repórter descreveu a experiência como "uma das coberturas mais tristes que eu já pude fazer através da TV Ponta Verde".
Naquele momento de angústia, foram vistos 16 corpos no chão, enquanto a perícia realizava o trabalho de identificação e periciar todos os corpos. O local era palco da dor dos familiares que chegavam, procurando informações desesperadamente sobre os seus avós e crianças.
O ônibus como símbolo de luto
Um dos aspectos mais dolorosos e que manteve o trauma latente para a população de União dos Palmares foi a permanência dos destroços.O veículo permaneceu abandonado na encosta da Serra da Barriga por quase sete meses. O resgate, iniciado no final de junho de 2025 (cerca de 7 meses após o acidente), exigiu uma operação complexa com apoio de empresas especializadas e bombeiros, devido ao difícil acesso.
Durante esse longo período, o ônibus serviu como um doloroso monumento visual à tragédia e à demora em dar respostas definitivas à comunidade.
Investigação e pedido por justiça
O inquérito policial apontou falha mecânica no sistema de frenagem do ônibus como a principal hipótese para o acidente, mas foi encerrado sem o indiciamento de responsáveis. Essa conclusão aumenta a cobrança por segurança e infraestrutura na estrada, que é um patrimônio cultural, mas que carece de intervenções para garantir a segurança dos turistas e moradores que sobem o local.
A população de União dos Palmares busca transformar a dor em um impulso para exigir que a Serra da Barriga não seja apenas um símbolo de resistência, mas também de segurança e responsabilização.
Em solidariedade, a TV Ponta Verde organizou uma cobertura voltada para o caso, conversando com os familiares das vítimas da tragédia que lutam contra sequelas físicas e emocionais pela perda dos seus entes queridos.
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